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FUNCIONÁRIO OU SÓCIO? VEJA VANTAGENS E IMPLICAÇÕES

Visando crescimento, algumas empresas transformam funcionários em sócios. Entenda as vantagens e os cuidados dessa operação

 

Funcionário ou sócio. Esta é a dúvida de empreendedores que buscam sócios que contribuam para o crescimento do seu negócio.

Encontrar um bom sócio não é tarefa fácil. Mas pode ser que ele esteja bem diante de você, já com a mão na massa e por dentro do potencial da empresa. Um funcionário de confiança, que tenha ótimo desempenho e esteja envolvido em tarefas de liderança, pode ser um bom aliado na hora de compartilhar os prós e os contras da sociedade. 

É como uma moeda de troca: o profissional se dispõe a trabalhar em um empreendimento iniciante, sabendo que há perspectivas de altos rendimentos no longo prazo, e o empreendedor retém os melhores talentos para o crescimento da empresa – especialmente quando ainda não há condições de concorrer com os salários oferecidos pelas grandes corporações. 

Convidamos o mestre em Governança e Sustentabilidade e especialista em Gestão Estratégica e Controladoria, Alexandre Andrioli Iwankio, que também é sócio-diretor da Iwankio Consulting, para falar sobre este momento tão estratégico para um negócio: a promoção de um colaborador a sócio.

ENTREVISTA

Quais os principais pontos a considerar ao promover um funcionário a sócio?

Alexandre Andrioli Iwankio:

Muitas vezes, o empreendedor pode enfrentar uma grande dificuldade na busca de um sócio para manter ou fortalecer o seu negócio. E pode ser que alguns potenciais sócios já estejam atuando na empresa, bem diante dos seus olhos, como funcionários de ótimo desempenho. 

É preciso considerar que o colaborador terá que assumir novos papéis e responsabilidades na nova condição, consciente das possibilidades de melhores ganhos futuros, mas também dos ônus e riscos do negócio.

Do ponto de vista burocrático, é importante contar com apoio jurídico para elaborar um acordo de acionistas, envolvendo questões como a remuneração, as responsabilidades de cada um e até as regras para um possível desligamento da sociedade, contemplando a opção de compra e venda de cotas.

 

Qual o melhor momento para tomar essa decisão?

Alexandre Andrioli Iwankio:

Esse movimento deve ser entendido pelo empreendedor como uma estratégia que vai além de ajudar a atravessar momentos difíceis. São diferentes motivos que levam os empreendedores a propor sociedade a quem está atuando como colaborador, dentre os quais podemos destacar a atração e retenção de talentos. 

Essa é uma prática comum em outros mercados, como os Estados Unidos. O mercado de trabalho exige profissionais competentes, e encontrar pessoas qualificadas pode ser uma das grandes dificuldades para as empresas. 

Apesar de parecer clichê, é certo afirmar que o maior patrimônio de qualquer empresa são as pessoas. Se você já conta com profissionais diferenciados em sua empresa, saiba que o mercado está de olho e pode apresentar uma proposta de trabalho atraente para eles. 

Quando você se der conta, poderá ter perdido um profissional valioso. Exceto se ele for seu sócio, o que lhe dá uma relativa estabilidade, algo que sempre pesa na decisão de trocar ou não de empresa. 

Da mesma forma, ao buscar um profissional que já tenha destaque no mercado, sua proposta será mais atraente se envolver uma sociedade. Isso aumenta a sensação de pertencimento daquele profissional, naturalmente estreitando a ligação dele com aquela que será a sua própria empresa.

 

Quanto da sociedade deve ser proposto? 50%, 20%, 10%, ou outros valores? E o que isso acarreta para as partes?

Alexandre Andrioli Iwankio:

Esse percentual pode variar muito, em função das características de cada negócio. Usualmente, destina-se cerca de 10% para a contratação de pessoal estratégico na condição de sócio, com a oferta de participação individual que gira em torno de 1% a 2%. 

 

E, no caso de desfazer a sociedade, como proceder?

Alexandre Andrioli Iwankio:

A saída de um sócio pode se dar por diferentes motivos. Independentemente desses motivos, será necessário encerrar a relação de sociedade.

Para tal, é preciso que o acordo de acionistas observe essa possibilidade, com a opção de compra e venda de cotas. Uma clara definição de critérios e regras para essa "compra e venda" tornará o processo de saída de um sócio simples e rápido, evitando eventuais desgastes tanto para quem parte quanto para quem permanece na empresa.

 

“É certo afirmar que o maior patrimônio de qualquer empresa são as pessoas. Se você já conta com profissionais diferenciados em sua empresa, saiba que o mercado está de olho e pode apresentar uma proposta de trabalho atraente para eles"

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4 PASSOS PARA TRANSFORMAR FUNCIONÁRIO EM SÓCIO

Planeje a empresa em curto, médio e longo prazo 

Desde o início do negócio, na fase de planejamento, muitos empreendedores começam a estruturação de uma possível entrada de sócios no futuro. É fundamental prever o método de participação de cotas, normas de salários e  ainda considerar despesas com atividades jurídicas e assistência profissional para minimizar os riscos da transação.

 

Faça uma análise criteriosa para definir o sócio

O colaborador apropriado é o que estiver mais por dentro do negócio, “vista a camisa” da empresa e é importante que tenha vocação empreendedora e esteja apto para liderar.

 

A inclusão de um novo sócio depende de várias etapas, esteja preparado!

Para promover um funcionário a sócio, é preciso desfazer o acordo de trabalho já existente e incluir o novo sócio no contrato social da empresa. Esse processo muda muito as relações de trabalho e os rendimentos. Quando for admitido na sociedade, o novo sócio já irá ser responsável pelos ganhos e prejuízos da empresa e prestar esclarecimentos judiciais pelo negócio.

 

 Transfira tarefas e obrigações

Ao se tornar sócio, o ex-colaborador deverá ficar responsável por atividades diferentes das que exercia antes. Além das vantagens, precisará arcar também com os ônus - mais deveres e remuneração incerta estão entre eles. A adaptação para atuar tanto no lucro quanto no prejuízo precisa de uma transformação no pensamento e consequente ação.

EMPRESAS 50/50

Uma empresa 50/50 é formada apenas por dois sócios e normalmente se estrutura em forma de sociedade limitada. Apesar de não ser uma regra, une parentes, irmãos, cônjuges, pais, filhos, amigos. Nesse modelo com apenas dois sócios, o "capital social" é dividido ao meio (50% / 50%) e, se não houver divergência entre eles, o negócio funciona bem.

Porém, basta que as diferenças surjam para que o modelo seja um pesadelo. Toda decisão depende da aceitação do outro, ou seja, o modelo não permite ou não sustenta discordâncias. Ao exigir a mesma opinião, praticamente impõe que os sócios se afastem caso não concordem quanto à condução dos negócios.

PROVIDÊNCIAS AO ESTABELECER UMA SOCIEDADE 50/50

  • O controle deve corresponder às quotas integralizadas, ou seja, quem contribui mais deve ter mais poder, já que se expôs mais ao risco empresarial.

 

  • Os sócios devem ter um acordo de quotistas. Por melhor que seja a relação, é fundamental que exista entre eles um acordo que regule com mais cuidado questões como a divisão de lucros e os meios para solucionar divergências.

 

  • Deve ser discutido antecipadamente o que ocorrerá no caso de uma separação. Por exemplo, como será calculado o valor da participação do sócio que sai e como será feito o pagamento.

Alexandre Andrioli Iwankio - Mestre em Governança e Sustentabilidade, especialista em Gestão Estratégica e Controladoria e sócio-diretor da Iwankio Consulting

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