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Saiba como levar seu negócio para canais digitais

Impulsionando os canais digitais, o isolamento social acelerou a chamada economia de baixo contato, com menor interação física e maior comunicação online

 

As mudanças no setor de alimentação fora do lar impulsionadas pela chamada “Gastronomia 4.0” – que envolve atividades como entrega em domicílio, pedidos por canais digitais e cardápios e compra rápida pela Internet, embaladas pelo surgimento das foodtechs (empresas de tecnologia focadas no setor de alimentação) – não são necessariamente uma novidade há algum tempo. Porém, até o início da pandemia mundial causada pelo novo coronavírus, negócios que funcionavam apenas presencialmente continuavam a se manter.

A nova realidade, no entanto, impôs medidas mais restritivas de saúde, higiene e de redução de contato físico, exigindo adaptações rápidas de quem resistia aos canais digitais. Essa nova realidade também vem sendo chamada de “economia de baixo contato”, termo criado pelo Instituto Board of Inovation e que se refere à relação de compra e venda sem contato físico. 

Em abril de 2020, as vendas pela Internet no Brasil cresceram 81% em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo dados do Compre&Confie. O maior aumento foi no setor de alimentos e bebidas, com impressionantes 294,8%. Os dados escancaram a necessidade de empreendedores do setor dominarem cada vez melhor ferramentas online de venda e divulgação de suas marcas. 

“Com a chegada da Covid-19, houve uma aceleração no processo de digitalização do mercado em geral. Pessoas que nunca haviam pedido comida ou remédios, ou nunca haviam pago uma conta pela Internet, precisaram aprender rapidamente. Isso é um fruto positivo”, afirma a especialista em marketing digital e fundadora da agência Life Content, Fernanda Hey de Moraes. Para ela, o novo comportamento indica que, mesmo após o período de isolamento, os consumidores irão preferir a comprar através de canais digitais em boa parte das ocasiões, pela praticidade e pela segurança. 

 
“O ambiente físico jamais vai acabar. Ele proporciona experiências sensoriais, sociais e emocionais que o digital não consegue. Mas o estabelecimento que depender 100% da presença física pode estar perdendo uma bela fatia de mercado e faturamento”.  
Fernanda Hey de Moraes, especialista em marketing digital.

POR ONDE COMEÇAR?

Quem ainda não está familiarizado com vendas pelos canais digitais deve iniciar pelo Google Business (Google Meu Negócio), orienta a especialista. “É uma poderosa ferramenta e, por incrível que pareça, grandes empresas que atendi não a possuíam”. De acordo com Fernanda, a ferramenta é uma vitrine dentro do Google − o estabelecimento pode cadastrar telefone, endereço, site e fotos de produtos, e ainda fazer postagens.

“A grande vantagem é que, ao ser procurado pelo nome do seu negócio, ele aparecerá em destaque na área ao lado da busca”, explica. O próximo passo, aponta, é investir esforços nas redes sociais: crie sua página no Instagram e no Facebook (as duas redes sociais mais usadas no Brasil) e comece a fazer publicações. Na medida do possível, direcione postagens pagas e anúncios para o seu bairro.

A decisão de vender apenas por canais digitais próprios, como WhatsApp e site do negócio, ou entrar em plataformas como Ifood, James e Rappi, vai depender de análise e orçamento. Fernanda ressalta que os canais próprios permitem liberdade de customização e dispensam pagamento de taxas, mas se não houver boa divulgação – o que demanda investimento financeiro – ficarão restritos a um pequeno público. 

Nas grandes plataformas de delivery, essa logística vem pronta, e os aplicativos têm grande audiência. Mas são cobradas taxas do estabelecimento, que podem ser significativas. “Cada empreendedor precisará fazer a conta e avaliar os prós e contras”, frisa.

 

CANAIS DIGITAIS, ESTRATÉGIA E PLANEJAMENTO 

Ter sucesso nas redes sociais exige constância. Nada de postar uma vez por semana e esperar bons resultados. Fernanda sugere a organização de uma grade de conteúdos: na segunda-feira, um carrossel (inserção de mais de uma foto na mesma postagem) ou stories no Instagram (publicações de textos, fotos ou vídeos que ficam acessíveis por até 24 horas) com o cardápio da semana. Na terça, aborde facilidade de pagamento e entrega; na quarta, aposte em um vídeo caseiro de algum prato; aproveite a quinta-feira para abordar um tema em alta (como os cuidados para a prevenção da Covid-19 com relação aos alimentos); na sexta-feira, divulgue uma promoção especial. E assim por diante. Não se esqueça de incluir sempre as informações básicas sobre contato e entrega na descrição do perfil.

E lembre-se: fotos bonitas e com boa resolução ajudam muito! Por isso, se não puder investir em imagens profissionais, use uma boa câmera ou um celular que fotografe em alta resolução, e aproveite ambientes silenciosos e com boa iluminação para fazer suas imagens.

Outra dica apontada pela especialista em marketing digital é tornar o seu perfil comercial: “Dessa forma, conseguirá acessar vários dados analíticos dos posts e também impulsionar publicações (posts pagos) para alcançar mais pessoas”.

 

HAMBÚRGUER POR WHATSAPP

Em janeiro de 2020, o empresário potiguar Marcell Cunha já estava decidido sobre a criação de uma hamburgueria que atendesse somente por delivery, com cardápio temático relacionado à identidade e aos pontos mais famosos de Natal/RN. Em março, quando teve início o isolamento social no Brasil, ele ficou receoso, mas mesmo assim optou por abrir o Hambúrguer de Ponta. Em um mês de funcionamento, vendeu 1.340 sanduíches, quando a expectativa era de 500.

O sucesso, aposta Marcell, veio não só do sabor e do cardápio temático, que mexe com as memórias dos natalenses, mas principalmente das redes sociais − a divulgação é feita pelo Instagram, com identidade visual caprichada. “Sem a rede social, a gente nunca teria chegado a um número tão grande de clientes”, acredita. 

A dinâmica de vendas do Hambúrguer de Ponta mostra que entrar nos aplicativos de comida não é obrigatório para se obter sucesso: os pedidos são feitos exclusivamente via WhatsApp e, para a entrega, Marcell conta com entregadores próprios.

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LEMBRE-SE DAS ESTRELAS

A avaliação pública que os usuários fazem do seu negócio no Google Business e nas redes sociais é determinante para o crescimento das vendas. Nessas avaliações, o usuário define, de uma a cinco, quantas estrelas dá ao estabelecimento, e tem a oportunidade de fazer um comentário sobre os produtos, o atendimento, a entrega do pedido, entre outros.

Fernanda lembra que, quanto mais avaliações o estabelecimento tiver, melhor será seu posicionamento no Google. Logo, quando o usuário fizer uma busca pela Internet, o empreendimento aparecerá entre os primeiros resultados. Além disso, os elogios (ou críticas) servem de critério para a decisão de compra do consumidor. Por isso, capriche em todos os detalhes para gerar boas avaliações e, sempre que possível, peça aos seus clientes que avaliem seu negócio.

Fontes: Sebrae e Fernanda Hey de Moraes, (Life Content). Ilustração: Victor A. Farat.

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