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O “novo normal” e os hábitos de consumo

Mais do que ingressar no ambiente digital, empreendedores devem compreender como serão as mudanças no comportamento e nos hábitos de consumo no período pós-quarentena

 

Da reavaliação sobre a necessidade da presença física de funcionários em alguns tipos de trabalho à intensificação da busca por cursos à distância, a quarentena acelerou o desenvolvimento de inúmeras tendências que já estavam em curso, e isso se aplica diretamente aos hábitos de consumo.

Há quem diga que o período de isolamento social servirá como um “acelerador de futuros”. Em outras palavras, as transformações graduais que estavam ocorrendo ao longo do tempo agora são aceleradas para se tornarem mudanças de comportamento mais imediatas e permanentes. Desde o início da quarentena, houve mudanças significativas nas relações sociais – sejam elas profissionais ou interpessoais – e de consumo. O que testemunhamos é a ascensão de um “novo normal”.

 

MAS O QUE É ESSE "NOVO NORMAL"?

De acordo com Maria Aparecida Rhein Schirato, professora do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), em entrevista publicada em maio no site da instituição, o conceito de “normal” nada mais é do que um padrão de comportamento que garante nossa proteção e nossa sobrevivência. Quando esses dois elementos se encontram ameaçados, já não consideramos o cenário como normal.

A partir das transformações decorrentes dos impactos do isolamento social, entramos em uma nova etapa de normalidade. São mudanças de comportamentos que surgem com o objetivo de assegurar proteção, segurança e continuidade nas atividades do dia a dia que sofreram algum tipo de impacto.

 

Realidade “figital”: além do ambiente físico, empreendedor deve criar estratégias digitais de atuação para seu negócio.

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Quando se trata de negócios, isso ocorre de formas diversas: se antes a busca por ampliar os canais de comunicação com clientes – com grande parte disso sendo feito por meio de canais digitais – era considerada um diferencial, a partir de agora essa conexão será um requisito básico para assegurar a volta e a permanência dos consumidores. Outro aspecto que passa a ter maior peso na decisão de consumo são os sentimentos de segurança e afetividade por parte dos clientes.

Na prática, o consumidor estará mais aberto a empreendimentos que demonstrem clara preocupação quanto à higiene e à segurança em suas operações e que possuam uma comunicação mais afetiva. Ou seja, saíram na frente os negócios de alimentação que demonstraram maior cuidado com seus colaboradores e clientes durante a quarentena, apostando na divulgação dos procedimentos de higiene e segurança alimentar.

Ou, ainda, aqueles que colocaram em prática ações criativas envolvendo o emocional, como é o caso de inúmeros estabelecimentos que recorreram ao envio de mensagens de apoio nas entregas por delivery durante a quarentena.

 

NOVOS HÁBITOS DE CONSUMO

Para esclarecer como o período de isolamento social afetou diretamente o comportamento do consumidor e ajudar você a se adequar a esse novo padrão de consumo, a Revista Assaí Bons Negócios conversou com Alexandro Strack, consultor de negócios especialista em transformação digital.

 

Assaí Bons Negócios: De que forma o período de isolamento social reflete em mudanças no comportamento do consumidor?

Alexandro Strack: Os reflexos da pandemia forçaram o consumidor a comprar de forma mais consciente, principalmente porque ele passou a ter várias restrições, tanto em termos de limitação financeira quanto de impossibilidade de consumo devido às restrições práticas de alguns produtos e serviços durante a quarentena. Um exemplo disso são as lojas de vestuário. Quem não gostava de comprar roupas pela Internet porque não há como experimentar, passou a se ver diante dessa impossibilidade também nas lojas físicas. Isso pode desestimulá-lo a comprar ou levá-lo a mudar sua forma de consumo e comprar o produto mesmo assim.

Além disso, com as novas formas de trabalho e consumo, as pessoas passam a perceber que o mundo não é mais só físico, mas também não pode ser só digital. É o que a gente chama de “mundo figital”: existe a parte física, que em grande parte das vezes é necessária, mas também existe a vertente digital. Os negócios precisam se adaptar a essa realidade.

 

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“Daqui para a frente, teremos um consumidor muito mais exigente, que vai querer o tempo todo a sinergia entre essas duas realidades: a física e a digital”.

Alexandro Strack, consultor de negócios.

 

ABN: De que forma essas mudanças se aplicam no segmento de alimentação fora do lar?

AS: Daqui para a frente teremos um consumidor muito mais exigente, que vai querer o tempo todo a sinergia entre essas duas realidades: a física e a digital. Nós não vamos deixar de consumir, afinal, a gente precisa comer. Essa é a realidade física. Só que agora, mais do que nunca, o consumidor vai exigir a possibilidade de não precisar sair de casa para isso e, ainda assim, poder montar o seu próprio prato. 

Essa é a realidade digital. Tem a ver com liberdade: você quer ter a liberdade de poder influenciar digitalmente aquilo que vai receber fisicamente. Nos ambientes de consumo físico, como restaurantes, lanchonetes e pizzarias, há outras mudanças de hábitos: isso poderá ser percebido na maior cautela com a qual os clientes passarão a manipular os produtos, exigindo do empreendedor maior atenção no manuseio de alimentos e mercadorias.

 

ABN: Qual deverá ser a postura dos pequenos empreendedores no período pós-quarentena?

AS: É preciso, mais do que nunca, se atualizar, experimentar e se reinventar, sempre escutando as necessidades dos clientes e garantindo que esse diálogo ocorra. Canais práticos e efetivos de comunicação serão mais importantes na relação com o consumidor. Para isso, é possível recorrer a tecnologias que fazem parte do dia a dia, como o WhatsApp, que pode ser um grande aliado do micro e pequeno empreendedor na tentativa de se aproximar do cliente.

 

ABN: Como você acredita que será a adaptação dos proprietários de pequenos negócios a esse novo cenário de consumo?

AS: Em um primeiro momento, será desafiador, porque as pessoas vão se restringir a consumir somente o que é mais necessário. Por mais que exista um saudosismo em relação ao consumo, especialmente em ambientes físicos, nosso cenário será de aperto financeiro e altas taxas de desemprego.

Isso significa uma menor disponibilidade de gastos. Mas em longo prazo o prognóstico é bom. A competitividade aumentou, mas isso tem servido como um estímulo para os negócios se reinventarem. Quando tudo isso passar, quem estiver adaptado a esses novos padrões de consumo terá uma grande oportunidade de crescimento.

 

Gostou de saber mais sobre a mudança nos hábitos de consumo nesse novo momento que todos nós estamos enfrentando?

A Revista Assaí Bons Negócios está aqui para isso: para trazer novidades e deixar você sempre muito bem informado(a) sobre tudo o que envolve seu emprendimento! Continue com a gente e confira mais matérias da edição 40 da Revista Assaí!

 

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