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Gestão em primeiro lugar

Especialistas apontam a capacitação em gestão como saída para pequenos negócios de alimentação na recuperação do mercado

Mercado mais enxuto, com empreendedores muito mais dedicados a se desenvolverem na gestão dos seus negócios. É assim que especialistas do mercado de alimentação fora do lar enxergam o cenário pós-pandemia. 

Se, no início do ano, a expectativa era de que 2020 seria um dos melhores anos da década para o setor − conforme projeção da consultoria Food Consulting, com 4,8% de crescimento real −, a chegada do período de isolamento social, em março, trouxe a necessidade de revisar as estimativas, com perspectiva de queda de 30% no setor até o final do ano. 

O estudo considera o impacto trazido pelo desaquecimento da economia, com aumento do desemprego e consequente queda na renda dos brasileiros. Além disso, a consultoria calcula que 20% dos estabelecimentos de alimentação fora do lar não vão mais reabrir as portas, e 20% a 30% do restante terão dificuldade para ficar em pé nos próximos meses. 

 

Estudo aponta que cerca de 20% dos negócios de alimentação não reabrirão as portas.

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A estimativa, entretanto, também aponta uma recuperação no próximo ano em patamares semelhantes a 2019, quando houve crescimento de 3,4% nesse mercado. Analisando o cenário pós-quarentena, com o retorno gradual dos clientes ao consumo, especialistas enxergam um mercado mais maduro, com os empreendedores tendo passado por um período de crescimento e amadurecimento na gestão do negócio. 

Para Pedro Henrique Oliveira, professor de marketing e gestão e consultor na PH Gestão para Resultados, o período de crise levou um grande número de proprietários de pequenos negócios do setor de alimentação a buscar conhecimento em diversas áreas que são fundamentais para a gestão do seu empreendimento, mas que estavam sendo negligenciadas. 

“Muito do que eu costumo ensinar em sala de aula e que vários empreendedores costumam não levar tão a sério, como administração profissional, gestão adequada das finanças e maximização da rentabilidade − com redução de custos e ações criativas para aumentar a lucratividade −, tem um peso ainda maior em momentos de instabilidade do mercado. Porém, quem soube aproveitar o difícil período de baixas vendas e conseguiu passar por isso não quebra mais, porque foi forçado a aprender o que é essencial na administração de um empreendimento. 

 

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“O período chamado ‘pós-quarentena’ vai demandar um novo nível de gestão, e sinaliza oportunidades para os empreendedores que buscarem se capacitar e se atualizar” 

Pedro Henrique Oliveira, professor de marketing e gestão.

 

De acordo com Sergio Molinari, da Food Consulting, foi identificado em grande parte dos pequenos negócios do setor de alimentação um conjunto comum de erros de gestão que contribuíram para ampliar as consequências do período de isolamento social. 

Dentre esses erros, estão: capital de giro reduzido; recebíveis já antecipados; endividamento alto e contabilidade precária. “Quando se junta esse grupo de características, percebe-se a fragilidade dos negócios em um momento de crise, especialmente por parte de empresas menores e até mesmo mais recentes”, observa o consultor. 

 

CAPITAL DE GIRO 

Tecnicamente, o capital de giro corresponde à diferença entre os recursos disponíveis em caixa e a soma de todas as despesas e contas a pagar. Em outras palavras, significa o valor que um negócio dispõe para se manter em funcionamento. 

De acordo com Pedro Henrique, a grande taxa de falência de empresas no Brasil tem relação direta com a falta de capital de giro: “O empreendedor compra os insumos normalmente à vista ou com prazo curto de pagamento. Mas, até comercializar o produto e, de fato, receber o dinheiro, há um período de tempo – especialmente considerando que parte dos pagamentos são feitos a prazo. Nesse período entre a compra dos insumos e o recebimento do dinheiro, é preciso que haja recursos para pagar as contas de energia, salários de funcionários, aluguel e as demais despesas”. 

O consultor aponta que, em termos gerais, o capital de giro deve ser suficiente para pagar todas as contas do negócio por pelo menos 45 dias. “O grande desafio para o empreendedor é guardar um capital mínimo pra esses 45 dias. 

Quando não há essa preocupação, ele ‘cai do cavalo’ com as contas do dia a dia”, relata Pedro Henrique, destacando o problema crítico da carência de entendimento, por parte do empreendedor brasileiro, sobre as finanças do negócio, o que ganha maior destaque em tempos de instabilidade econômica. 

 

ANTECIPAÇÃO DE RECEBÍVEIS 

A partir do início da baixa geral nas vendas, alguns empreendedores que não dispunham de capital de giro suficiente recorreram à antecipação dos recebíveis como alternativa para cobrir as despesas mais urgentes. 

A prática de antecipar recebíveis significa adiantar, geralmente mediante uma taxa de juros, o recebimento de valores que só chegariam mais tarde – no mercado de alimentação, isso acontece principalmente em vendas feitas por cartão de crédito e por plataformas de delivery. 

Entretanto, uma grande parcela de proprietários de negócios já havia antecipado todo o fluxo de contas a receber antes da pandemia, ficando sem nenhuma fonte de recursos em curto prazo. 

“Antecipar o recebimento dos recursos é comum no nosso mercado, mas é preciso haver um grande controle financeiro. Quando o empreendedor precisa de crédito rápido, pode ser uma boa ideia, já que os juros são bem menores do que os das linhas de crédito. Porém, muitos fazem isso sem controle nenhum, gerando um ‘buraco’ nas finanças do negócio e um alto gasto com juros”, alerta Pedro Henrique. 

 

ENDIVIDAMENTO ALTO E CONTABILIDADE PRECÁRIA

De acordo com Sergio Molinari, o alto endividamento, aliado à contabilidade precária, tornou difícil para grande parte dos empreendimentos afetados pelos efeitos econômicos da quarentena ter acesso aos programas governamentais de proteção aos pequenos negócios, especialmente quanto às linhas de crédito com condições especiais. 

Problemas desse tipo, no controle das finanças, comprometem a saúde do empreendimento e tornam mais difícil encontrar uma saída. Novamente, a recomendação dos especialistas é pela atualização e capacitação constante do empreendedor do ponto de vista de gestão do negócio.

 

PERSPECTIVAS 

Para Pedro Henrique, o cenário pós-pandemia trará consumidores mais seletivos e com novos comportamentos de consumo. Mas cabe ao empreendedor se reinventar para estar melhor preparado para gerenciar seu negócio e torná-lo mais saudável financeiramente e mais resistente a períodos de instabilidade econômica. 

“Quem souber navegar nesse mercado a partir de agora terá boas oportunidades. Empreendedores que não forem criativos e não viverem a atualização imediata do mercado estarão fora. Mas aqueles que se dispuserem a se capacitar e a se atualizar constantemente, principalmente do ponto de vista da administração do negócio, das finanças, do marketing e da gestão de pessoas, terão um bom caminho à frente”, orienta o consultor.


O período atual exige uma mudança no posicionamento dos gestores e o amadurecimento dos negócios.

 

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