De Belém a Porto Alegre, um passeio pelas cinco regiões do país revela como
ingredientes locais se transformam em autenticidade, textura e sabor

De acordo com dados da Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis (ABRASORVETE), cada brasileiro consome, em média, 9,1 litros de sorvete por ano.
Das frutas exóticas da Amazônia aos sabores artesanais encontrados nas gelaterias do Sul e do Sudeste, passando pelas versões funcionais e veganas, a variedade de sabores e texturas espelha a riqueza gastronômica brasileira.
SUL
Mesmo com temperaturas mais baixas, o sorvete é consumido durante todo o ano na Região Sul. Frutas de clima temperado, como morango, pêssego, cereja e amora, se destacam entre os sabores.
Em cidades como Gramado, conhecida pela influência europeia, as gelaterias artesanais oferecem versões com chocolate belga e frutas da região, enquanto nas grandes cidades ganham força os sorvetes funcionais – sem açúcar, veganos e proteicos.
Desde 2000, o Rio Grande do Sul sedia a Jornada do Sorvete, evento que reúne empreendedores brasileiros e de outros países para celebrar a paixão regional pela sobremesa que desafia até o frio do inverno gaúcho.
NORTE
Em 2024, o sorvete de açaí criado por uma tradicional sorveteria de Belém (PA) ganhou destaque entre os 100 sabores mais icônicos do mundo.
A publicação do ranking da enciclopédia gastronômica internacional TasteAtlas afirmou, ainda, que a iguaria é símbolo de orgulho regional e representa os sabores amazônicos, que fazem parte da cultura local.
Além do açaí, frutas como cupuaçu, taperebá, bacuri e tucumã são usadas nas sorveterias artesanais, nas feiras e nos carrinhos de rua para criar sorvetes autênticos.
No Norte, os gelados marcam a biodiversidade da floresta e mantêm viva a tradição de receitas que valorizam ingredientes nativos.
CENTRO-OESTE
Pequi, araticum, cagaita, baru e buriti são algumas frutas do Cerrado brasileiro que se transformaram em sabores de sorvete – e fazem muito sucesso na região.
Sorveterias artesanais de Goiás, Mato Grosso e Brasília exploram os ingredientes nativos e criam versões que exaltam a diversidade do bioma.
O pequi, com seu sabor intenso e característico, lidera as preferências locais, enquanto o araticum e a cagaita conquistam por sua doçura natural.
O sorvete de milho, tradicional e cremoso, também é muito apreciado no Centro-Oeste. Em festivais gastronômicos e feiras, essas criações atraem curiosos e apreciadores, valorizando a identidade cultural do interior do país.

SUDESTE
A Capital Nacional do Sorvete fica no Sudeste: Itápolis, no interior de São Paulo. Com uma história diretamente ligada à imigração italiana, a cidade de cerca de 42 mil habitantes conta com dezenas de sorveterias.
A tradição sorveteira se espalha por toda a região, onde sorveterias, gelaterias e ambulantes oferecem sabores tradicionais e inusitados, como chocoentro e manteiga de garrafa, criados pelo confeiteiro Fabrício, da Lumi Creamy (destaque na edição 69 da revista Assaí Bons Negócios).
Já no litoral do Rio de Janeiro, o sorvete batido com açaí faz sucesso nas praias, afirmando a tropicalidade carioca.

NORDESTE
No Nordeste faz calor o ano todo e, por isso, o sorvete é uma tendência em todas as estações.
A segunda região que mais consome esse tipo de alimento no país oferece opções populares, como tapioca, graviola, cajá e umbu, que atraem pelo sabor inusitado. Mas também aposta nas versões clássicas, como chocolate e creme, que dividem espaço com o dindin, tradição pernambucana que ganhou versões gourmet.
Nas praias e nos calçadões, é fácil encontrar sorveteiros ambulantes, que oferecem refrescância imediata contra o calor intenso e transformam o sorvete em um alimento essencial para quem passeia pela orla.








