A trajetória de Esther resgata o legado da mãe, Dona Maria, e encontra no Assaí Belvedere, de Belo Horizonte (MG), apoio necessário para seguir em frente

Eu cresci dentro da cozinha. Muitas das minhas lembranças de infância são da época em que minha mãe, Dona Maria, preparava 800 marmitas por dia, que eram servidas a trabalhadores da construção do viaduto da Mutuca, na saída da capital mineira para Ouro Preto e o Rio de Janeiro.
Em 1978, ainda nem existiam restaurantes como os de hoje, e aquela comida carregava a história de uma família inteira aprendendo a sobreviver.
Minha mãe dormia embaixo de uma mesa enquanto as panelas de pressão ficavam ligadas a noite inteira. Para ajudar, meus irmãos e eu éramos responsáveis por lavar as embalagens de alumínio.
O que minha mãe sabia fazer era comida boa, saborosa. Cozinhava para alimentar aquelas pessoas que trabalhavam duro, e foi dessa raiz que nasceu tudo o que sou hoje. Sem perceber, herdei dela essa vocação.
Em 2003, as refeições passaram a ser fornecidas a funcionários de uma concessionária bem ao lado do Assaí Belvedere, aqui em BH. Mas, já com a saúde muito fragilizada, minha mãe não podia mais seguir.
Eu precisei assumir o negócio, e aquilo foi um verdadeiro divisor de águas na minha vida. Ali, o umbigo foi cortado e começou a minha história de verdade. Aprendi, na prática, que continuar não era uma opção, mas uma responsabilidade com tudo o que ela tinha construído.
ACOLHIMENTO, RESPEITO E VALOR
O Restaurante JE nasceu em 2004. Comecei atendendo a uma parte dos funcionários da concessionária e, com o boca a boca, o movimento foi crescendo naturalmente.
Ao todo, foram mais de 20 anos trabalhando no mesmo lugar, sem nome e sem placa, mas com uma história de entrega e muito trabalho em família. Hoje, caminham comigo meu esposo, Eustáquio, meu filho André Lucas e minha irmã Iolanda.
Um momento marcante na minha vida foi quando eu estava trabalhando na rua, como camelô, e uma equipe de funcionários do Assaí se aproximou de mim e me incentivou a continuar.
A partir desse encontro, surgiu a possibilidade de levar meu trabalho para um espaço na galeria do Assaí Belvedere e, ao longo desse caminho, contei com apoio técnico e condições que me ajudaram muito nessa mudança.
Assim, conquistei um ponto fixo, com mais estrutura e melhores condições de trabalho, o que me permitiu seguir atendendo meus clientes com mais conforto.
Eu não enxergo o Assaí apenas como um atacadista, um lugar de produtos e mercadorias. Aqui, eu vejo pessoas e histórias sendo criadas todos os dias. Tenho orgulho de fazer parte disso.
O que também me motiva, diariamente, são meus clientes e minha equipe. Cada retorno positivo, cada conversa e cada rosto conhecido me dão confiança e segurança para seguir em frente.
Para o futuro, meu sonho é ver um crescimento constante, construir história, identidade e raízes firmes. Quero que o Restaurante JE seja um espaço para honrar tudo o que começou lá atrás, com a força da minha mãe e com a união da minha família.
“Minha mãe, Dona Maria, preparava 800 marmitas por dia, que eram servidas a trabalhadores da construção do viaduto da Mutuca”
Esther Maia Passos, proprietária







