Curiosidades

Eles soltam a voz: os narradores mais icônicos do futebol brasileiro

Os ganhadores do primeiro concurso promovido pelo portal Assaí Dá Jogo certamente se inspiraram em alguns nomes do presente e passado

 

“Olho no lance!”, “Que golaaaaçoooo!”, “Cruel, muito cruel...”, “Olha o gol, olha o gol, olha o gol...” É quase obrigatório que os narradores de futebol deixem uma “assinatura” em suas transmissões. Não um simples bordão, mas algo que eleve em alguns degraus a emoção do momento, de um lance bonito, um drible, um chute venenoso, um gol. 

Como pudemos ver nos vencedores do primeiro concurso promovido pelo portal Assaí Dá Jogo, o “Solte a Voz!”, essa assinatura vira uma marca. Identifica não só o profissional de rádio ou TV, como passa a fazer parte do repertório dos torcedores para resumir o astral do momento, seja para comemorar ou para provocar os torcedores adversários. 

Um dos maiores compositores do país, Ary Barroso, nascido em 1903, passou boa parte da vida tocando e fazendo música, aliando a função às narrações de futebol. Foi um dos precursores em dar uma assinatura nas transmissões: nos anos 40, adotou uma pequena gaita que era tocada assim que um time fazia um gol. O autor de “Aquarela do Brasil” era também chamado de “speaker da gaitinha”.

Eram os tempos do rádio, em que uma narração ganhava tons fantasiosos, às vezes exagerados, narração acelerada – muitas vezes ao contrário do que ocorria em campo – e cheia de emoção. Afinal, não havia a imagem para checar a veracidade do lance, e as transmissões eram feitas muitas vezes em meio à torcida, pois não havia cabines em todos os estádios. 

Já com a chegada da televisão, a partir dos anos 50, em determinadas situações se tornou desnecessário descrever um lance, pois a imagem estava ali. Com o tempo, a tecnologia trouxe a repetição do lance e a análise detalhada com medições de distância, batizado como “tira-teima”. Mesmo assim, os narradores de rádio também ganharam torcedores, a ponto de ser normal boa parte da audiência desligar o som da TV e sintonizar na frequência de seus locutores prediletos do Brasileirão Assaí.

Além das vozes no rádio, os atuais narradores de TV também marcam território com suas participações, fidelizam torcedores, mesclando o que se passa em campo, com comentários e bordões, como os contemporâneos Cleber Machado, Milton Leite, Everaldo Marques, Gustavo Vilani e Paulo Andrade.

A seguir, relembraremos alguns dos narradores mais icônicos do rádio e da TV brasileira:

“TÁ NO FILÓ...”: FERNANDO SASSO (1936/2005)

O mineiro de voz forte ficou conhecido no rádio pelo bordão: "Tá no filó!”, quando acontecia um gol. Também trabalhou na TV. Morreu em decorrência de um câncer.

"AGORA NÃO ADIANTA CHORAR...": FIORI GIGLIOTTI (1928/2006)

O paulista de família italiana abusava das figuras de linguagem para dar um tom emocional, romântico, aos jogos. Das suas mais conhecidas frases estão: "Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo"; "E o tempo passa… torcida brasileira" ; “Aguenta coração!"; "Agora não adianta chorar" (logo após narrar um gol).

“OLHA O GOL, OLHA O GOL, OLHA O GOL”: GALVÃO BUENO (1950)

É o narrador esportivo de maior projeção atualmente. Começou no rádio mas logo foi para a TV. Narrou vários esportes mas marcou mesmo nas partidas de futebol. Tornou-se narrador, comentarista e apresentador e criou alguns bordões como a frase “Olha o gol, olha o gol”; “Teste para cardíaco“; e o famoso grito de comemoração quando o Brasil foi campeão em 1994: “É tetra, é tetra”, sem disfarçar a torcida. Ele costuma dizer que não é apenas um narrador, mas um “vendedor de emoções”.

"LINDA! LINDA! LINDA!": GERALDO JOSE DE ALMEIDA (1919/1976)

O paulista foi do rádio para a TV depois de eternizar expressões como "Linda! Linda! Linda!", "Que que é isso, minha gente!", “Na ponta da bota"; “Por pouco, pouco, muito pouco, pouco mesmo!”; e "Seleção Canarinho do Brasil". Também dava apelidos a jogadores, como o "Craque Café" (Pelé), "Garoto do Parque" (Rivellino) e  "Mineirinho de Ouro" (Tostão).

"CRUEL, CRUEL, MUITO CRUEL…": JANUÁRIO DE OLIVEIRA (1940/2021)

O gaúcho tinha como marca usar expressões bem populares e também dar apelidos a jogadores. Chamava o atacante Ézio de ”Super-Ézio”, Sávio de "Anjo Loiro da Gávea", e Túlio de “Tá, Té, Tí, Tó, Túlio..." Suas expressões mais conhecidas foram "Taí o que você queria, bola rolando…"; "Tá lá um corpo estendido no chão"; "Cruel, muito cruel…"; "Acabou o milho, acabou a pipoca, fim de papo." - quando o juiz apitava o fim do jogo.

“APONTOU, ATIROU, ENTROU”: JOSÉ CARLOS ARAÚJO, O GAROTINHO (1940)

Começou no rádio, passou por algumas emissoras de TV e voltou ao rádio. O carioca ficou conhecido pelo bordão “Apontou, atirou, entrou”, e também por frases de efeito, como “Gente que se liga na gente”; Apite comigo galera”, "Loonge pra dedéu.... Pra lá de Marrakech!!! Ô xará, assim não dá!"

“E QUE GOLAÇO!”: JOSÉ SILVÉRIO (1945)

Mineiro radicado em São Paulo, é chamado de “o pai do gol”. Suas narrações são enfáticas, claras e concisas, e além de alongar ao máximo o grito de gol, usa os bordões "E que golaço!"; “Dominou, limpou, bateu”; “No peito e na raça”; “Pega que é sua”; “Agora vou soltar minha voz”.

“GOLAÇO-AÇO”: LUCIANO DO VALLE (1947/2014)

O locutor paulista de voz potente iniciou no rádio e migrou par a TV. Ficou conhecido  também por narrar esportes como sinuca, vôlei (nos anos 80) e boxe. Não era chegado a muitos jargões, dizia que falava na hora o que vinha à cabeça. Em gols usava a expressão “Golaço.. aço.”

LUIZ NORIEGA (1930/2012)

Radialista, virou referência na TV Cultura de São Paulo com seu vozeirão e narrações contidas, sem dar grito de gol, ao contrário da quase totalidade dos narradores. Era sinônimo de futebol na TV.

“EU ESTOU E-MO-CIO-NA-DO”: NILSON CESAR (1961)

Paulista de Sorocaba faz narrações vigorosas, levando sua voz quase ao limite do grito. Tem mais de 40 anos na rádio. Entre suas expressões marcantes estão “Eu estou e-mo-cio-naaa-dooo” (quando acontece um gol importante”; “Meu amigo, você quer que eu confirme o tempo de jogo?”; ”Chamouuu, falouuuu”.

“PRO GOL!”: OSCAR ULISSES (1957)

Narrador de origem no rádio, com passagens pela TV e em atividade no rádio. Irmão dvs também narradores Osmar Santos e Odinei Edson. Tem estilo um pouco mais sóbrio de locução e seu bordão mais conhecido é na hora de registrar o gol, quando diz: “Pro gol!”

“RIPA NA CHULIPA, PIMBA NA GORDUCHINHA”: OSMAR SANTOS (1949)

Era chamado de “o Pai da Matéria” por suas narrações, por sua voz marcante e conhecimento do esporte. Criador de inúmeras expressões como “Ripa na chulipa, pimba na gorduchinha”; “Tiro-liroli, tiro-lirolá”; "Sai daí que o Jacaré te abraça, garotinho"; "Vai garotinho porque o placar não é seu"; “E que goooooollll”. Ele também cunhou o apelido que foi incorporado a Edmundo, “Animal”. Deixou a narração depois de um acidente de carro em 1994.

“GOL, GOL, GOL, GOL...”: OSVALDO REIS, O PEQUETITO (1960)

O mineiro costuma acentuar uma sílaba de nomes de jogadores, de times, e situações de jogo, e repete várias vezes a palavra “gol” ao balançarem as redes. Conhecido por usar citações de compositores de MPB, em especial os mineiros,

“JUIZ, TERMINA O JOGO”: PEDRO ERNESTO (1950)

Gaúcho que diz não ser adepto de muitos jargões, mais centrado em fazer narrações com alto grau de emoção e torcida para os times locais... em muitas situações usa expressões de torcedores, como pedir ao juiz para terminar o jogo, por exemplo.

“OLHO NO LANCE!”: SILVIO LUIZ (1934)

Um dos mais caricatos narradores do rádio e da TV ainda em atividade. É autor de frases como “Olho no lance!!”; “Pelo amor dos meus filhinhos”; “Pelas barbas do profeta!!”; e também de expressões como “entortou a bigorna”, “sujou o avental” e “desandou a maionese”.