Curiosidades

A história das bolas usadas no Brasileirão

O modelo utilizado no Brasileirão Assaí 2021 promete ser revolucionário tanto para quem chuta quanto para quem assiste; relembre grandes inovações nas bolas utilizadas no principal campeonato do país

Sem ela, não há jogo e ponto final. Protagonista de qualquer partida de futebol, a bola da edição 2021 do Brasileirão Assaí promete ser revolucionária. Afinal, sua fabricante passou os últimos oito anos em laboratórios buscando uma versão ainda mais perfeita, justamente essa que está rolando pelos gramados do país. 

A Brasil Flight, nome da bola recém-lançada pela Nike, empresa que fornece desde 1999 a bola oficial da Série A nacional, foi testada por mais de 800 atletas profissionais e teve outras 68 versões anteriores até chegar a essa chutada e cabeceada pelos jogadores do Brasileirão Assaí. Quem pegá-la nas mãos ou olhar bem de pertinho verá que ela tem uma série de ranhuras na superfície.

E mora justamente aí a grande novidade: esses desenhos em alto relevo fazem com que o “voo” da Nike Brasil Flight seja 30% mais “estável” que a dos modelos anteriores. E o que isso significa na prática? Sabe aqueles chutes que mudam de direção, assim, do nada? Em teoria, essa bola cheia de ranhuras evita que isso aconteça com tanta frequência.

Ou seja, para os craques do futebol brasileiro, que tratam a bola com carinho e sabem exatamente onde querem colocá-la, sua tarefa ficou teoricamente mais fácil. Para os goleiros também acabou aquela desculpa de que o chute foi traçoeiro e que a bola mudou de direção repetinamente. Bem, isso tudo ainda é teoria. Vamos ver nas próximas 38 rodadas o que acontece de verdade.

Confira abaixo uma breve história dos modelos que já foram utilizados no maior importante campeonato de clubes do país:

Anos 60 e 70 - Branquinhas para ver melhor

Embora não houvesse uma única bola “oficial” para todo o campeonato, os principais fornecedores do país (as marcas Drible, Maracanã e Topper) adotaram um padrão para suas criações. O couro animal utilizado para fabricar bolas, originalmente de tom marrom, deveriam ser pintados de branco. A razão para a mudança: isso facilitaria a visibilidade das bolas para as pessoas que começavam a assistir aos jogos pela televisão.

Anos 80 - Da Bola da Copa ao modelo 100% nacional

No início da década de 1980 valia a mesma regra, o clube mandante era responsável por trazer as próprias bolas (e por essa razão escolhia seu fabricante favorito). O Flamengo de Zico, que dominou o futebol nacional, usava a bola fabricada pela Adidas, mesma fornecedora de seu uniforme. O modelo escolhido, aliás, era o Tango, o mesmo usado nas Copas do Mundo de seleções.

A partir de 1983, viu-se um verdadeiro monopólio nas bolas utilizadas na primeira divisão do campeonato nacional. De repente, as bolas fabricadas no Brasil pela Topper passaram a ser as únicas a serem utilizadas no Brasileirão. O modelo Seleção, com apenas alguns gomos pintados de preto, tornou-se o padrão da época (não por acaso: a CBF, antiga CBD, usava uniformes fabricados pela Topper).

Anos 90 - A primeira bola “oficial”

Segundo o jornalista Erich Beting, em sua obra “O Livro das Bolas de Futebol”, apenas 1993 a CBF assinou um contrato de exclusividade para o fornecimento de bolas para as competições que organizava. Não foi coincidência que a empresa britânica Umbro, então fornecedora dos uniformes da seleção, tenha sido a escolhida. Sua preferência contratual valeu até 1998, com o modelo Elite Americana sendo o último a ser utilizado.

Anos 2000 - Ano novo, bola nova

Em 1999, já com a Nike sendo a responsável tanto pelo material esportivo da seleção brasileira quanto pelas bolas utilizadas nas principais competiçoes do país (Brasileirão e Copa do Brasil), a empresa americana passou a apresentar novos modelos quase todos os anos. A partir de 2007, então, o costume virou regra: para toda nova edição de Brasileirão, um novo modelo de bola.